Neto Alves

Por tipo de negócio6 min de leitura

Restaurante: cardápio no site, iFood ou os dois?

Os dois, cada um para um trabalho. O iFood traz quem ainda não conhece a casa e desconta de 15,2% a 26,2% de cada pedido. O cardápio no site serve para o cliente pedir de novo, direto.

Os dois, cada um para um trabalho. O iFood traz quem ainda não conhece o restaurante e cobra por isso: no Plano Básico, 12% de comissão mais 3,2% de taxa de pagamento online, ou 15,2% de cada pedido pago pelo aplicativo; no Plano Entrega, 23% mais 3,2%, chegando a 26,2%. O cardápio no seu site, com o pedido pelo WhatsApp, serve para o cliente que já conhece a casa pedir de novo sem essa comissão.

Quem tem só o aplicativo paga para atender até o freguês de toda semana. Quem tem só o site próprio espera ser achado sem a vitrine que o aplicativo dá. A conta fecha melhor com os dois.

Sacola de papel pardo sobre o balcão de um restaurante, com a maquininha ao lado e o salão de mesas ocupadas ao fundo.
O mesmo prato sai por dois caminhos. Em um deles, parte do preço fica com o aplicativo.

Quanto o iFood cobra

Os valores são os publicados pelo próprio iFood, no blog para parceiros, vigentes na atualização de 23 de junho de 2026:

A mensalidade só é cobrada de quem fatura mais de R$ 1.800 no mês. Fonte: iFood para Parceiros.
PlanoDe cada pedidoPor mês
Básico: a entrega é sua12%, mais 3,2% se o pedido for pago no aplicativoR$ 110
Entrega: a entrega é do iFood23%, mais 3,2% se o pedido for pago no aplicativoR$ 150

O exemplo do próprio iFood: num pedido de R$ 50 pago pelo aplicativo, no Plano Básico, saem R$ 6,00 de comissão e R$ 1,60 de taxa de pagamento. O restaurante recebe R$ 42,40.

Dois avisos da mesma página: as taxas podem variar conforme a categoria e a região, e a da sua loja fica registrada no contrato, no Portal do Parceiro. E não se negocia: o iFood diz que não é possível renegociar o percentual de comissão nem a mensalidade.

O que o aplicativo entrega em troca

Vitrine, antes de tudo. O iFood informa uma base de 60 milhões de clientes ativos e mais de 500 mil estabelecimentos, em dados de fechamento de 2024. Para um restaurante novo, é o lugar onde alguém com fome encontra a casa sem saber que ela existe. No Plano Entrega vêm também os entregadores, o rastreio e o atendimento até a entrega.

Isso tem valor. A questão é pagar por ele também quando ele não foi usado: o cliente que já sabe o seu nome, já comeu o seu prato e só quer repetir.

Onde o pedido direto já está

Uma pesquisa da Abrasel com 2.176 donos de bares e restaurantes, publicada em março de 2025, mediu por onde entra o faturamento do delivery:

  • aplicativos de terceiros, como o iFood: 54%;
  • WhatsApp: 26%;
  • aplicativo ou site próprio: 12%;
  • telefone: 8%.

Somados, WhatsApp, canal próprio e telefone já respondem por 46% do faturamento com entrega. Na mesma pesquisa, 78% dos estabelecimentos usam os aplicativos, 63% vendem pelo WhatsApp e 39% têm aplicativo ou site próprio. Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, "o crescimento do WhatsApp é natural, pois dá mais controle aos estabelecimentos".

A conta, num exemplo

Um restaurante que vende R$ 10.000 por mês pelo aplicativo, no Plano Básico, com tudo pago no aplicativo, deixa R$ 1.520 em comissão e taxa, mais R$ 110 de mensalidade. Se os fregueses de sempre fizerem direto três de cada dez desses pedidos, R$ 3.000 deixam de passar pelo aplicativo e R$ 456 ficam no caixa todo mês.

É um exemplo, e não uma promessa: quanto migra depende do seu público. E o pedido direto tem custo próprio, a taxa da maquininha e o entregador, que no Plano Básico você já paga.

O que o cardápio no site precisa ter

  1. Texto, e não foto ou PDF. O Google recomenda usar texto, e não apenas imagens, para que a busca entenda a página. O Perfil da Empresa também lê o site: segundo a ajuda do Google, ele pode transcrever o cardápio do site para a ficha do restaurante. PDF no celular é zoom com dois dedos.
  2. O preço em cada item. Cardápio sem preço obriga o cliente a perguntar antes de decidir.
  3. O botão de pedir, com a mensagem pronta. "Quero pedir: " já escrito, e o cliente completa. Como montar está em WhatsApp e site juntos.
  4. Horário, bairros atendidos e taxa de entrega, antes de a pessoa escolher o prato.
  5. Leve no celular. É no telefone que o pedido de comida é feito.

O cardápio também vai para o Google

O Perfil da Empresa tem um editor de cardápios para negócios de alimentação: você cadastra seções, itens, descrições e preços, e as mudanças levam de 24 a 48 horas para aparecer no Maps e na busca. Há ainda um campo para o endereço do cardápio no seu site. O relatório de desempenho do perfil mostra quantos cliques o cardápio recebeu.

É o caminho mais curto entre "restaurante perto de mim" e o seu prato com preço. O passo a passo da ficha está em como aparecer no Google Maps.

Como usar os dois sem brigar com nenhum

  • O aplicativo fica para ser descoberto. Fotos boas, tempo de preparo real e a nota em dia.
  • O cardápio próprio fica onde o cliente já é seu: QR code na mesa e no balcão, link no perfil do Instagram, endereço na ficha do Google.
  • Dentro do pedido do aplicativo, siga o contrato. Antes de pôr folheto ou cartão na sacola, confira no Portal do Parceiro o que o iFood permite divulgar.
  • Anote de onde veio cada pedido direto. Em um mês você sabe quanto o canal próprio vale.

Como eu monto isso nos sites que faço

No plano Profissional, o cardápio é um catálogo de até 30 itens que você mesmo atualiza numa planilha: mudou o preço lá, mudou no site. O pedido sai em passos, direto para o WhatsApp. Em todos os planos vêm o QR code para a mesa e o balcão, com a origem marcada na mensagem, e o Perfil da Empresa no Google configurado.

Fontes

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